Por Fabiano Peixoto
A saúde pública de Marataízes atravessa um dos momentos mais críticos de sua história, deixando a população em estado de alerta. Nesta terça-feira (03), novos cortes foram anunciados, restringindo os serviços da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) a apenas urgência e emergência. A decisão decorre da inadimplência de um contrato de R$ 2 milhões referente ao mês de outubro. Para novembro e dezembro, não há previsão de recursos, aprofundando ainda mais a crise.
Maurício Galante Neto, presidente do Instituto Capixaba de Saúde (ICAS) e do Conselho Municipal de Saúde, destacou a gravidade do quadro:
“Fomos notificados pelo consórcio para suspender os serviços de saúde complementar. Em seguida, uma nova comunicação determinou a manutenção apenas dos serviços de urgência e emergência, como os prestados pela UPA.”
Nesta terça-feira (03), todos os profissionais de saúde vinculados ao contrato do ICAS foram informados sobre a interrupção temporária das atividades pelo Consórcio Intermunicipal CIM Expandida Sul, responsável pela gestão do acordo com o município. A decisão foi motivada pela falta de pagamento do contrato referente a outubro, enquanto os meses seguintes permanecem sem recursos assegurados.
“A partir das 19h de hoje (03/12/2024), todos os profissionais estão dispensados de suas funções, devendo aguardar novas orientações”, informou a Nota de Aviso.
Cenário de Colapso
Após as eleições de 6 de outubro, veio à tona, por meio de disputas judiciais, que o ICAS foi habilitado a prestar serviços na região através do consórcio CIM Expandida Sul. Consequentemente, a empresa anteriormente responsável foi desabilitada, levando à dispensa de seus profissionais de saúde.
Desde então, por cortes financeiros, o município passou a contar apenas com médicos para atendimentos básicos, suspendendo serviços especializados e exames, o que impactou severamente a assistência à população.
Nesta terça-feira (03), os cortes expuseram ainda mais a incapacidade financeira da gestão municipal de sustentar os serviços essenciais. Como medida emergencial, o consórcio CIM Expandida Sul decidiu manter exclusivamente os atendimentos na UPA, por se tratar de uma unidade de urgência e emergência indispensável.
Verão em Risco
Com a proximidade da alta temporada, o colapso no sistema de saúde pública coloca o município em uma posição ainda mais delicada. A demanda crescente por atendimentos durante o verão pode agravar a crise, deixando moradores e turistas desassistidos.
Após uma década à frente da prefeitura, Tininho Batista (PSB) encerra sua gestão sob uma enxurrada de críticas. Obras paralisadas, cortes severos em serviços essenciais — especialmente na saúde — e a ausência de planejamento para a temporada de verão se tornaram marcas de um governo que, segundo moradores, mergulhou Marataízes em um verdadeiro colapso administrativo.



