Depois de ser salvo pelos quatro ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que entenderam que não havia provas consistentes para cassar a chapa Dilma-Temer, o presidente da República retoma seu projeto de empreender as reformas trabalhista e previdenciária.

Se o presidente Temer, agora que está garantido no cargo, está à procura de aliados para promover as reformas País afora, já pode contar com o apoio do governador do Espírito Santo. Paulo Hartung, que participou na  tarde deste sábado (10) do encontro anual do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES), em Pedra Azul, Domingos Martins, região serrana do Estado, se colocou a favor das reformas de Temer.

O governador defendeu a realização de reformas estruturantes para o País e para o Espírito Santo voltarem crescer”. “Se nós queremos vencer os 14 milhões de vagas de empregos fechadas no País e reabri-las com janelas de oportunidades, principalmente para nossos jovens, temos que fazer as reformas estruturantes para o nosso País”, advertiu.

A narrativa é muito semelhante à usada por Ricardo Ferraço. Um dos palestrantes do evento, o senador aceitou o desafio de relatar a Reforma Trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicas (CAE) do Senado, que é presidida pelo presidente interino do PSDB nacional, o senador Tasso Jereissati.

Ricardo Ferraço, que agora se empenha para a Reforma Trabalhista ser aprovada pelo plenário do Senado, tem feito o trabalho de promover o pacote de mudanças em diferentes fóruns. A exemplo de Hartung, ele também tem repetido que o País precisa das reformas para voltar a gerar empregos.

Esse pensamento reducionista, que tenta justificar as reformas como único caminho para gerar empregos no País, tem sido muito criticado por setores da sociedade que consideram as reformas uma ameaça aos direitos trabalhistas e previdenciários conquistados ao longo de décadas pela classe trabalhadora.

A visão de Hartung e Ferraço obviamente é a mesma compartilhada pela classe empresarial, por isso o tema dominou o encontro do Ibef. Ambos, ao lado de Jereissati – um dos maiores empresários do Brasil, que delegou a missão ao correligionário – estão trabalhando duro para promover as reformas de Temer.

Nas entrelinhas da palestra de Hartung restou evidente que o governador também deve ter torcido pela vitória de Temer no TSE. Afinados ao pensamento pragmático da classe empresarial, Hartung e Ricardo Ferraço também temiam que a cassação do presidente agravaria a crise política e causaria novos solavancos na economia.

“Devemos encontrar a realidade e, juntos, o caminho para realizar as transformações necessárias”, disse Hartung que, em seguida, aproveitou para dar uma lustrada na sua gestão e mostrar à classe empresarial que fez o dever de casa e está pronto para o novo momento. “Estamos preparados para receber as oportunidades, mas para isso precisamos fazer o País crescer e retomar a produtividade e para isso precisamos modificar as leis que servem de entraves para o desenvolvimento do país”, advertiu.

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